← Revista de ImprensaCRÓNICAS SEMANAISMiguel Castro
CRÓNICA / OPINIÃO

Estão a invadir o nosso "quintal"...

O mar, visto de terra, parece quase sempre tranquilo. Olhamos para ele, vemos um barco ao longe e seguimos com a nossa vida. Temos trabalho, contas para pagar, filhos para ir buscar. Ninguém passa o dia a pensar em quem anda à volta das nossas ilhas.

Mas há notícias que nos fazem parar.

Quando leio sobre embarcações ligadas à chamada «frota fantasma russa» perto da Madeira, quero perceber o que se passa. Quando surgem relatos de lanchas suspeitas e de jerricãs de combustível nas Desertas e na costa do Porto Santo, fico preocupado. Acho que qualquer pessoa fica.

É fácil ouvir estas coisas e pensar que são assuntos distantes, de guerras, de tráfico ou de problemas entre países. Até aparecerem à nossa porta. Aí, a conversa muda.

Vivemos rodeados de mar. É por aqui que chega muito daquilo de que precisamos. Há pessoas que saem para pescar, outras que trabalham no transporte de passageiros, no turismo ou nas mercadorias. A segurança destas águas faz parte da nossa vida, mesmo quando não pensamos nela.

Por isso, custa-me aceitar a ideia de que basta sermos um lugar tranquilo para estarmos protegidos. A tranquilidade precisa de ser cuidada. E prefiro que esse cuidado exista todos os dias, antes de termos um problema sério.

Também não vou tirar conclusões sobre cada barco que passa. Os relatos precisam de ser investigados e as suspeitas esclarecidas. Mas espero que alguém esteja atento e tenha condições para agir. Parece-me uma exigência bastante normal de quem cá vive.

Fala-se tanto de tecnologia, de satélites, de equipamentos capazes de observar quase tudo. Gostava de saber que essa capacidade está a ser bem usada aqui. E que, quando é preciso sair para o mar, há embarcações, pessoas e condições para o fazer.

A Madeira e o Porto Santo ficam longe de Lisboa. Essa distância sente-se em muitas coisas. Na proteção de quem cá vive, devia ser uma razão para haver mais atenção.

Eu gosto de olhar para o mar e sentir sossego. Quero continuar a fazê-lo. Mas esse sossego vale muito mais quando sabemos que há quem esteja a olhar pelo que acontece para lá da costa.

“A tranquilidade precisa
de ser cuidada.”
Assinatura de Miguel Castro
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